terça-feira, 16 de outubro de 2012

Saudades Universitárias

Galera,

Pra quem não sabe estou no último ano de Ciência da Computação. A estrada de quatro longos e árduos anos está chegando ao fim. Ainda bem porque não aguento mais. Mais de uma pessoa me disse "Ah Pam, você fica aí querendo que acabe logo mas você vai ver, logo mais você vai sentir saudades". Analisando friamente a situação eu já sinto falta.

Sinto falta da novidade que era o primeiro ano, em 2009. Quando me vi totalmente sozinha, num lugar onde eu não conhecia ninguém. Quando meus melhores contatos foram arranjados no Orkut, na comunidade da Universidade (e ainda carrego comigo alguns contatos que viraram amizades desde então). Quando tive que decidir entre continuar autista - meio sozinha, ou como eu era no Singular pois só conversava com as minhas amigas - ou dar a cara a tapa e tentar ter bons relacionamentos com todos (vocês podem ver que optei pela segunda alternativa). Quando vi um cara entrar bêbado pela primeira vez na sala e cair de cabeça tentando pegar a carteira. Quando vi uma professora sendo expulsa da faculdade por ter dado um tapa de leve no rosto de um aluno por ele ter falado um palavrão. Quando não havia panelinhas e todo mundo estava se conhecendo de verdade. Quando encontrei uma amiga do coração, por causa da Academia da Faculdade. Quando eu e a Carol depois de perder varias calorias na Academia íamos comer esfihas na Marrocos :D

   



Sinto falta das bagunças do segundo ano, em 2010. Quando eu podia matar algumas aulas não importantes. Quando eu conheci o bar do Nelsão e o Bohemia. Quando eu conheci a caipirinha de saquê com morango e a Jurupinga com leite condensado. Quando eu conheci o suco do pântano e o whisky com energético. Quando eu conheci todos, eu disse TODOS os cantos da faculdade, em tours noturnos com o pessoal. Quando descobri que a faculdade tem capela lol. Quando eu levava o violão e a gente se reunia numa rodinha no estacionamento e todo mundo cantava. Quando invadíamos o teatro para tocar piano e fingir que estavamos num show. Quando invadiamos os bastidores do teatro e vestíamos as fantasias e os narizes de palhaços para tirar foto. Quando conheci as pessoas que estão caminhando junto comigo até hoje. Quando descobri que estava estudando de novo com um menino que cheguei a detestar no prezinho (sim Pedro, é você). Quando comecei a conversar com a Mari e com o Denis por causa de The Sims. Quando meu intervalo durava uns 40 minutos porque eu ia conversar com as pessoas que eu conheci em TODAS as salas de Computação e Administração, além da costumeira ida no bar, não para beber, mas para dar oi para o Nelsão e para a Bel, e claro para ver um pessoal no bar e trocar uma ideia. Quando eu ainda conseguia ficar acordada até tarde fazendo trabalhos ou estudando.

  


Sinto falta da falta de maiores responsabilidades do terceiro ano, em 2011. Quando eu tinha que me preocupar apenas em não olhar a baba da professora. Quando o maior trabalho que eu tinha que fazer, dava pra fazer na véspera da entrega. Quando experimentei cerveja com rum pela primeira vez. Quando tomei cerveja com torcida de pimenta mexicana. Quando vi a porta da saida pros bares sendo fechada. Quando eu ia pra biblioteca ficar lendo historia em quadrinhos. Quando senti na pele que precisava estudar para cálculo numérico. Quando tirei a maior nota do exame de calculo numerico, na maior manobra majestosa de estudo da minha vida. Quando fiquei feliz e triste ao mesmo tempo que soube que o Doug ia pros EUA. Quando nossas apostas eram pagas em Vivanos. Quando tirávamos nota baixa nas provas íamos comer hamburgueres no Mc ou no Fabuloso. Quando tiramos foto com o Nelsão. Quando iamos na pizzaria nos dias de aula menos importante.

   
  


Agora esse ano, 2012. Acho que poderei escrever dele melhor apenas no ano que vem, quando 2012 acabar. Porém, amigos, acredito que esse ano foi o mais broxante de todos. Quando esse ultimo ano de faculdade começou, eu estava muitíssimo empolgada. Poxa, ULTIMO ANO DA UNIVERSIDADE! Deveria ser o melhor de todos mas não foi. Foi o ano que mais me desmotivou sabe porque? Várzea. Essa é a palavra.

Sabe, quando você faz uma coisa legal, qualquer coisa, você fica super triste quando acaba não é? Quando você faz coisas legais, você nem vê que o tempo está passando. As coisas chatas, você não ve a hora de acabar. Fica olhando no relogio ou calendário para ver se demora muito tempo para passar. Estou assim esse ano. Não vejo a hora de acabar. Não vejo a hora de ter minha vida de volta. Não vejo a hora de fazer o que eu QUERO fazer e não o que TENHO que fazer. Não vejo a hora de chegar do trabalho e jogar videogame sem culpa, sem ter nada para fazer para amanhã. Não vejo a hora de voltar a estudar música, de aprender coisas novas. Não vejo a hora de poder voltar a praticar esportes depois do trabalho. Não vejo a hora de poder seguir meu rumo, seguir meu caminho sem que a faculdade me atrapalhe mais.

Fora as burocracias impostas de última hora que prefiro nem comentar... Vou aqui finalizar meu TCC, preparar tudo que tem que preparar. Que venham as últimas provas, as apresentações, e tudo o que tiver que vir. E torcer logicamente para não reprovar, porque né... às vezes quanto você mais quer, mais demora pra vir e mais sustos você leva. E eu só quero que essa tormenta acabe apenas.

Um abraço para você que quer sua vida de volta depois da faculdade!
Pam~



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Amor (quase) impossível

Há muito tempo ele sabia que o sentimento martelava como machado na árvore: deixava aquela insegurança e medo de descobrirem o real sentimento. Sabia que era difícil. Sabia que na verdade era impossível aquilo se transformar num sentimento correspondido.

Todos os dias, há anos, ele subia ao andar superior e a ficava observando. Ela nadava, esbelta e cheia de vida. Ele nunca soube como ela chegara àquele patamar. Mas contentava-se em observar apenas. Observá-la o fazia ser a pessoa mais feliz o mundo. Sabendo que ela estava bem o fazia ficar bem.

Até que um dia tudo se transformou. Em sua rotineira visita ao andar superior, ela não estava mais dentro d'água. E eles finalmente se encontraram. Eu, como excelente expectadora, consegui gravar o momento do primeiro contato, depois de anos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O sofá amaldiçoado

Você está lá, toda faceira assistindo um filme ou a um programa de TV. Está tudo bem, quando sorrateiramente, você se vê escorregando, com a cabeça descendo vários níveis até chegar no encosto do sofá.  
Aí você tira o sapato e estica as pernas. Esse é o sinal. O sinal que te envolverá e jamais libertará. Com as pernas esticadas, você tenta encontrar algo para se cobrir, porque ele é um pouco frio. Como não encontra seu cobertor, pega a jaqueta e deposita sobre os ombros.  
Você pisca. Está prestando atenção no filme. Pisca de novo. O filme ficou embaçado? Piscar pela terceira vez é desmaio certo: você foi fisgado pelo feitiço sonífero do sofá.

Parece exagero eu falando assim né? Mas é que vocês não conhecem meu sofá da sala. Ele já está antigo, mas tenho certeza que esse ano é aquele ano que o feitiço escolhe para ressuscitar. Eu mesma não consigo assistir um filme inteiro sem dormir. Sozinha, com o Escher, com minha família, com 30 amigos na sala: eu sempre serei capturada pelos braços invisíveis do sofá.



Bom, pra falar a verdade, diz a lenda que esse meu sofá deve ter pertencido a um antiquíssimo faraó Morpheus III, que era considerado o deus do sono nerd da Matrix egípcia. Ele colocou um feitiço potente para manter a bunda dos gamers grudadas enquanto eles jogavam. Até que apareceu uma menina gamer, que Morpheus se apaixonou por ela. Mas ela só queria saber de jogar. Então ele plantou um braços-tentáculos debaixo das almofadas que puxaria a menina gamer e a manteria deitada, para então, Morpheus pairar sobre ela. Aí um dia ele esqueceu que ela tinha que comer, ela morreu e renasceu como o fantasma vermelho do pac man.

Aliás eu realmente imagino que o sofá tem braços e abraça o 'deitante' de tal forma que é impossível levantar ou mexer um músculo. Parece verídico.

Poderia ser loucura, mas a maldição também afeitou meu irmão: o sofá o abraça com mais força, rouba todo o seu bom humor e ainda deixa marcas de listras na cara dele. Não tente acordar o Nathan quando ele estiver dormindo do sofá, pelo seu próprio bem. Se ele não cuspir fogo, vai dar uma voadora de dois pés no meio do seu tórax.


terça-feira, 3 de julho de 2012

O presente do Gaivota

Estava na aula de inglês hoje e o assunto era expulsar pessoas indesejadas de sua casa. Me lembrei de um episódio fatídico de minha vida, mais precisamente, da minha festa de 15 anos.

Eu, garotinha juvenil, no auge de me sentir por ter finalmente alcançado a maturidade inexistente dos 15 anos, resolvi que minha festa ia ser na minha casa mesmo. Salão e dança é o cacete, detesto esses tipos de frescura. Meu pai, lindo que é, montou a festa mais daora da galáxia: contratamos um DJ, enfeitamos o salão com CDs no teto (assim as luzes do DJ refletiam neles e os lasers eram hipnóticos), minha mãe super artista pintou a parede e fez uma arte firmeza, pedimos muita comida, muitos amigos (deviam ter umas 200 pessoas na minha casa LOL) e tive até video de retrospectiva (que eu odeio ver, não gosto e tal).

Enfim... Uns dois dias antes alguns amigos meus vieram saber mais detalhes da festa e, junto deles, estava um moleque que nunca vi na vida. Aliás, as únicas coisas que vi foram as sobrancelhas mais negras e grossas e juntas que existem, daí o apelido Gaivota. Aí beleza, estava conversando com meus amigos e eles perguntaram sobre sábado. Eu falei que começava as 19:00. Eles foram embora, e o gaivota também.

Aí firmeza, sábado né, super empolgação, eu recebendo os convidados, o som rolando solto e tals. Meus amigos - aqueles que tinham vindo me visitar - chegaram. Cumprimentei todo mundo e adivinhem quem estava atrás, na fila? Sim, o Gaivota.

"Nossa, Pam, obrigada por me chamar pra sua festa, você não sabe como eu estou feliz"

"mas quem é voc...."

"Olha, eu trouxe um presente de última hora, espero que goste pois achei a sua cara" - era um pacotinho bem pequeno.

"obrigada, mas quem é voc..."

E o filho da puta foi entrando na MINHA casa sem ser convidado.


Como eu sou desesperada e frenética, fui lá abrir os presentes né. Aí beleza, camisetas, tenis, caixinhas de música, brincos, colares, maquiagem, perfumes, ursinhos, cartões... e o presentinho do Gaivota.

Zordon sussurrou em meus ouvidos: "jogue essa porcaria fora não abra". Mas não né, sou teimosa. Abri.
Alguém DEVIA ter filmado a minha cara, porque eu devo ter ficado com uma expressão super escrota depois de ter visto o que tinha dentro do pacotinho tosco:


Um brinco de margarida. Com sorrisinhos. Totalmente óbvio e usável para uma pessoa de 15 anos. Beleza, quem tem 15 anos é tosco mesmo, mas PELO AMOR DO SANTO APÊNDICE DE ZORDON, o que o Gaivota tinha na cabeça?

Você pode ter pensado: 'ah pam, na época, ele estava a fim de você'. Não, você errou. Na minha festa de 15 anos, o Gaivota pegou minha prima. Uma semana depois, ele estava apaixonado por ela. Duas semanas depois ele foi conhecer a família dela (sem o consentimento dela, obviamente). Três semanas depois ela detestou tanto grude, e deu um pé na bunda dele. Gaivota ficou deprimido, ficou me amolando por muitas semanas, pois ainda queria minha prima, mas depois ele superou. E parou de encher o meu saco, graças a Zordon.

Você também deve ter se perguntado porque eu ainda tenho esses brincos. Ora bolas, como eu provaria a existência desse episódio? Eu, até hoje, não entendo a intenção do brinco de margarida, mas que eles me rendem boas risadas, isso sem dúvida. :)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reabilitação Facebookiana

Eu sempre gostei muito de lidar com pessoas, e conversar, e sempre apreciei a troca de ideias que a internet proporciona. Diria que sou uma total entusiasta de redes sociais. Mas esse meu gosto por conversas estava me atrapalhando demais meu rendimento, tanto no trabalho quanto na faculdade.

No trabalho, eu já tinha sido chamada a atenção mais de uma, duas, três vezes por distrações indevidas no trabalho: é constrangedor demais admitir isso, mas toda vez que alguém ia me solicitar algo, inevitavelmente eu estava no Facebook.

Estou no último ano da faculdade, portanto, há apenas um significado: TCC. Eu não estava me concentrando em absolutamente nada relacionado ao Trabalho de Conclusão! Eu começava a pesquisar algo e quando menos via já estava com uma aba "F branco no fundo azul" aberta no meu navegador. E eu não via como eu fazia isso!

Foi quando tomei uma decisão, há alguns meses, que foi a de sair do Facebook. Tal rede social estava me causando mais dor de cabeça do que alegrias. E devo dizer, foi a melhor coisa que eu fiz.

Pontos ruins? Eu tive muitos. Por exemplo, as acessos nos meus blogs diminuíram DRAS-TI-CA-MEN-TE pois 90% do fluxo de visitas vinha do Facebook. Minhas relações sociais - cujas bases se iniciaram na internet - praticamente desapareceram. Apenas o pessoal da faculdade e do trabalho - que eu vejo todos os dias - mantiveram-se firmes e fortes. Mas, numa roda de amigos, onde começava um assunto 'você viu aquele post que rolou no Facebook essa semana': eu já ficava calada.

Hoje, tomei uma decisão: vou voltar pro Facebook. Vai ser a prova de fogo para eu saber que a abstinência/reabilitação realmente surtirão efeitos. Se tudo desandar, é fácil: começo a reconstruir minha vida social virtual apenas em janeiro de 2013. De qualquer forma, os pontos bons superam: agora sei medir minha atenção, tenho consciência total das minhas responsabilidades, vou voltar a ter contato com o pessoal que eu estava com saudades, e os blogs voltarão a bombar o/

Que os jogos comecem!
Estou sumida? Me diga a última vez que você entrou em contato comigo para saber como eu estava.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Viagem - Visconde de Mauá

Nesse feriado de Corpus Christi eu e Escher fomos a Visconde de Mauá, um JOIN de três cidades, na faixa de gaza entre Minas e Rio de Janeiro. É um super rolê ir pra lá, cerca de quatro horas de viagem, pela Dutra, mas quando chegamos lá, acho que o cansaço foi embora.

 A cidade é bem minúscula e vive basicamente de lojinhas - roupas, artesanatos e afins - e pousadas. M-I-L-H-Õ-E-S de pousadas. Em cada esquina tem uma pousada! Se você for um dia pra lá, não reclame de falta de estadia!

Ficamos na pousada Tiatiaim, que não faço idéia como se chega lá, mas sei que depois de uns quinze minutos de estrada de terra, e mais umas duas pontes de madeira, e mais uma subida de terra mais íngreme do que o aceitável, você chega na pousada. É bem pequena, tem uns cinco chalés e uns poucos apartamentos. Ficamos nos chalés, que parecem aquelas casinhas que a gente desenha quando é pequeno: com o telhadinho triangular e chaminé. O melhor da pousada é a cachoeira magnífica que cruza: ao dormir e ao acordar a única coisa que se ouve é o marulhar das águas batendo nas pedras freneticamente.

Bem perto da pousada há a cachoeira do Escorrega: um tobogã natural de uns 30m de extensão onde a galera escorrega como se estivesse nas gincanas da TV e cai numa piscina natural. É bem legal de ver. VER apenas, porque não estava aquele calor do mal para nadar numa cachoeira. Tenho certeza de que a água estava numa temperatura humanamente inaceitável para banho.

O pessoal da cidade é bem bacana e acolhedor, mas o que mais gostei foram os hippies que estava perto da cachoeira: eles são de uma simpatia incrível!

Sobre a comida, nem tenho o que falar: na pousada, tínhamos um café da manhã SUPER farto, com pão caseiro, manteiga de verdade (e não margarininha vadia), suco de laranja, leite, vários queijos e bolachinhas artesanais que não sei o nome. No centro da cidade, tem aquela variedade: restaurante alemão, mineiro, japonês e afins. Esqueci de dizer que a especialidade da cidade é TRUTA, então você vê pratos com trutas dos mais diversos tipos da galaxia.

Foi uma viagem bem bacana e queria dizer obrigada pela oportunidade e pela companhia.
Como a anta aqui não tem mais máquina fotográfica, pedi ao Escher que documentasse a viagem. Postarei as fotos em breve.

Que venham mais destinos como esse!

Um abraço,
Pam




terça-feira, 1 de maio de 2012

O patinho feio e o olhar 43

Às vezes eu acho que deve ter alguma coisa de errada comigo.

Sabe quando você entra num lugar, você não quer nada com nada, apenas seguir seu caminho sem incomodar ninguém, mas todos os olhares se voltam para você, te olhando com curiosidade e desejo de saber 'quem é esta nobre pessoa que adentra o recinto?'. Pois é, acontece a mesma coisa comigo, mas ao contrário.

TODA VEZ, não é uma, duas ou três, é TODA VEZ que eu entro no ônibus, que estou andando no shopping, que estou andando na rua, que vou num restaurante, que estou numa loja, seja lá o que for que envolva pessoas que eu nunca vi na vida, acontece isso: a pessoa me olha como se eu fosse um animal bizarro dentro de uma urna de vidro.



Não é aquele (des)interesse habitual, de saber quem é, pra ver se me conhece de algum lugar, ou apenas ignorar minha passagem. Mas é aquele olhar de desprezo e curiosidade extraordinária de alguém que está vendo um extraterrestre. E o pior, aquele olhar que mede de cima abaixo e (típico de mulheres nojentas) analisa qual a marca e o estado de conservação da sua roupa, sapatos, bolsa e maquiagem. Estranho, né?

99% das vezes que percebo tais olhares são de meninas ou mulheres ou senhoras de idade. Mas eu não sei porque isso acontece, porque eu não uso piercings na cara, não tenho estrelas tatuadas na lateral do rosto, não sou careca, não uso moicano, não sou loira, não tenho luzes, não tenho olhos azuis vivos, não tenho olhos verdes vivos, não sou azul nem verde, não sou altona, não sou gordona, não sou (tão) bizarra. Sou absolutamente comum.

Antes, quando eu notava tais olhares, eu abaixava a cabeça e continuava cabrestadamente até chegar no meu assento no ônibus ou na minha mesa no restaurante. Hoje não: se eu percebo algum olhar, eu já olho nos olhos, como se eles tivessem lasers e perguntassem ''QUALÉQUIÉ?".

Eu não ligo muito, mas eu realmente gostaria de chegar um dia e perguntar para a observadora se tem algo de errado. Se fizer algum sentido, talvez eu pinte minha cara de arco-iris e raspe todo o cabelo para fazer jus aos olhares curiosos. Afinal, não tem sentido nenhum apreciar o que é comum.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A frenética e o feriado

Eu estava freneticamente pirada na sexta-feira, querendo fazer todas as minhas lições de inglês e espanhol na madrugada pro sábado, além de ler os livros que tenho pendentes e trabalhar nos freelas, prevendo que iria fazer tudo depois que chegasse do cinema, quando de repente, alguma alma boa me disse que era feriado. Eu não sabia que era feriado. Estava tão frenética que eu realmente não sabia que eu poderia descansar um pouco da loucura da semana.

Acho que estou sofrendo da mesma coisa que tomou conta de mim em 2008 - ano fatídico que comecei a trabalhar no meu primeiro emprego e estudar a noite: eu tomava remédios para dormir, porque eu não conseguia desligar de tanto estresse.

Esse ano, infelizmente, não está diferente: eu sei que estou na reta final da faculdade, sei que tenho que me esforçar para passar de ano e pegar meu diploma no ano que vem. Sei também que tenho o TCC, sei que já deveria estar com 30% dele concluído, sei que deveria estar lendo toneladas de livros por noite. Mas tudo o que tenho são planos e planejamentos, mas zero de ação.

No trabalho está indo tudo bem, estou animada com o que estou fazendo - mudei de área, não estou mais produzindo cursos de e-learning; estou na área de serviços/suporte/projetos, no backstage para que tudo funcione bem. E devo dizer que lidar mais com os coordenadores de projetos, indo em reuniões com clientes e  tendo maiores responsabilidades era o que eu queria, é realmente o caminho que eu queria seguir. Mas ainda está faltando aquela mágica, aquela pitada que nos dá a motivação que realmente interessa.

Espero que você consiga entender que o problema não é a faculdade ou o trabalho - porque eu amo o que eu estudo e amo o meu trabalho, além de estar nesse ritmo há cinco anos: creia, não é falta de costume. - mas é comigo. Acho que estou entrando num estágio onde a vontade se esvai e  o cansaço toma conta. Eu não quero deixar que ele invada minhas atividades, mas ele está tomando proporções monstruosas e estou ficando fraca perante dele.

Esse final de semana foi bem gostoso, pois fomos para Jarinu comemorar o aniversário do priminho do André. E além do churrasco e das ótimas companhias, eu fiquei feliz porque eu consegui desligar um pouco. Sabe quando durante a semana você sente que você não descansa? Que você dorme e acorda do mesmo  jeito? Parece que passou apenas alguns minutos e você já está de pé para trabalhar de novo? Pois é, nesse final de semana eu finalmente consegui descansar.

Eu queria muito ter mais finais de semana como esse, sabe? Não precisar se preocupar com nada, não ter preocupações adicionais, procurando apenas coisas diferentes para fazer. Acho que estou escrava das minhas neuras de responsabilidades, que é quando você coloca nas coisas uma importância maior do que elas realmente tem.

Preciso muito me livrar disso, antes que eu precise visitar o psiquiatra outra vez.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Um ano bacanoso

Pois é. Já se passou um ano que eu e o André começamos uma coisa mais legal que voar de balão. Lembro que conversávamos por MSN, até o lindo dia da sinuca, na virada cultural do dia seguinte. Um mês depois, o pedido de namoro. E até hoje, muita coisa bacana rolou.

Eu arrisco dizer que eu e o André formamos um casal bem diferente dos demais. A gente se gosta, se ama, mas isso é o mínimo que um casal de namorados deve fazer. Estou falando de cumplicidade além da alma, de rir e chorar juntos, de dizer besteiras e fazer o outro dar risada - mas aquela risada de soquinho, aquela de tirar o ar, senão não vale a pena. - de falar sério e expor opiniões, sem medo de sofrer chacota. De não precisar se resguardar e esconder um lado seu que ninguém quer que saiba. De poder, acima de tudo, usar a sinceridade da palavra e do sorriso que faz a gente viver em paz.

Hoje foi o nosso primeiro aniversário. Comemoramos com uma excelente viagem para Campos do Jordão. Fizemos aquela parada de deixar o carro em um lugar e sair andando por ai, pra conhecer  artesanatos e pontos turísticos. Bebemos água da fonte, vimos cachoeiras, visitamos palácio e museu, cansamos a sola do pé.

E tudo isso, confesso eu, não teria tido a menor graça se eu tivesse ido sozinha. Acho que tudo fica mais bonito quando se tem alguém pra fazer comentários e dar um beijo com abraço, com o por do sol da montanha batendo na sua nuca. O ar tem outro cheiro quando você tem um sorriso que te sorri de volta.

Eu só queria agradecer pela felicidade impagável. E quero deixar registrado aqui, publicamente, que o mister André é o cara que eu escolhi pra seguir em frente.

Te amo, meu amor! E que venham mais mil anos :)






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A arte de dormir

Eu levo o 'dormir' muito a sério. Pra mim ele não tem hora, quando vem eu me entrego de cabeça. Lógico que não vou me achar única por ter essa característica tão comum em jovens que trabalham, estudam, cuidam dos 5 filhos - meu zoologico, no caso -, tem tempo de namorar, tem tempo de cultivar amizades e se dedicar a estudar coisas extras. Se o sono não vier acompanhando todas as milhões de atividades, considere-se um zumbi, por gentileza.

Eu vou ser sincera com você: não gosto muito de dormir. Eu me sinto inútil. Eu gosto muito de fazer tudo que posso quando estou ligadona pra não sentir culpada depois dizendo 'poxa, meu dia foi um tédio'. Mas como a física dita, é impossível terminar inteira depois de um dia inteiro de atividades. Meu maior prazer é deitar a cabeça no travesseiro depois de um dia cheio e dizer 'não fiz tudo o que eu queria, mas fiz tudo o que podia!'

Meu problema com o sono é muito sério. Quando menos espero estou com a cabeça tombada no meio de uma conversa. Por exemplo, quando o André me traz em casa depois de um rolê: a gente tá lá, trocando super ideia, mas DO NADA, eu esqueço do que eu tava falando, do que ele tava falando e minha cabeça cai pra trás. Ai ele pergunta 'não é amor?'. VISH


Uma vez, tava numa festa a fantasia, baladinha e tals. Tudo era novo, inclusive o energético. Tomei sete latas naquela noite, e não, não misturei com bebida alcoólica. Meu padrinho super preocupado quando me acompanhou em casa, acreditando piamente que eu não ia dormir por umas cinco noites, por causa do efeito do energético. Eu dormi desamarrando o cadarço do meu tenis. Assim mesmo do jeito que você imaginou: sentada, encostada na parede, desamarrando o tenis. Cochilei por uns bons 40 minutos e depois fui pra minha cama. Mas, obviamente, estou supondo isso, pois nunca me lembro de como chego na cama.

E outra vez: eu estudando pra uma prova sentada na escadinha, nos fundos da outra empresa onde eu trabalhava. Tava lá sentada de boa, quando acordei assustada com alguém falando alto "PAM VOCÊ TA BEM?". Eu tombei no chão enquanto estudava, ficando estirada, jogada mesmo no chão sabe? Muito bom, muito fino, perceba.

Não vou nem citar as vezes que já dormi em festas, em filmes, em cinemas, estudando no meu quarto, na cozinha, no banheiro, NO BANHO, sentada na cadeira, deitada no quintal, brisando na varanda, na sala de aula, no banheiro do trampo, na propria cadeira do trampo... Já estreei vários lugares com a minha soneca.

É como se eu tomasse um boa noite cinderela que minha própria mente oferece, tipo aqueles traficantes de porta de escola, sabe? Aí você vai de curioso, dizendo a si mesmo que você vai resistir ao sono, VOCÊ VAI RESISTIR AO SONO, VOCÊ VAI RESIST....... zzzzz

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Chiclete é o meu cigarro

Sempre gostei muito de doces de bomboniére, mas nenhum me deixa mais feliz do que chicletes.

Mas Zordon colocou uma regra no mundo onde 'tudo que é demais faz mal'. Dito e feito, meu maxilar dói  muito quando começo a saborear esse doce das fadas.

Já tentei parar, já fiz terapia com a Dra. Alle Map, já me esforcei de todas as formas. Mas a goma de mascar realmente deve ter algum tipo de nicotina do submundo que não me deixa largá-la.

Quando digo que chiclete é o meu cigarro, eu estou falando sério: me alivia da tensão e do nervoso, sempre vem depois do café, depois do almoço, no meio da tarde, e deixa um cheiro característico (bom, no caso).

Meu maxilar grita, suplica para que esse exercício infinito pare de fato. Mas meu cérebro sempre diz: 'O seu nariz está duro? Se estiver, esse é o último chiclete da sua vida.'

Como a condição nunca é/será atendida, acho que estou condenada pela maldição do Freshen-Trident-Poosh. Para sempre. Na vida.


domingo, 1 de janeiro de 2012

Balanço de 2011

2011 foi um ano um tanto peculiar, mas impossível de saber o que ia acontecer.

Começou com uma viagem bosta, pra um lugar onde eu não voltaria mas nem se eu ganhasse na mega-sena. Aliás, seu eu ganhasse na mega-sena sim: voltaria lá só pra botar fogo no lugar, e junto queimar as lembranças péssimas que eu tenho de lá. Vocês acham que eu tô exagerando? Experimente passar a virada do ano numa rua de terra, comendo manga ao lado de um cachorro de rua. E dormir por dois dias no ônibus - porque não tinha quartos suficientes para 76 pessoas.



Ano passado teve show do Backstreet Boys no final de fevereiro, o melhor show da minha vida: vários faniquitos de ver os garotos e desejar casar três vezes com cada um deles. Exatamente uma semana depois, o namoro - ou, como prefiro chamar, estorvo - terminou. Finalmente eu estava livre pra poder buscar o meu lugar ao sol: afinal, quem precisa de âncoras que não te deixam voar pra onde tu quer?

Desfilei. Nunca tinha feito isso na minha vida. E não senti vergonha de nada, era eu e a roupa da minha amiga que eu estava desfilando. Horas depois, estávamos no Churrálcool mais pirante de toda a minha vida; eu e todo mundo achamos uma graça INCRÍVEL numa samambaia. O resultado foi chegar em casa sem saber como e ouvir risadas que ecooam gostosamente na minha lembrança - ATÉ HOJE LOL.



Andei de moto. Ainda que meio quarteirão, mas depois de um happy hour e algumas muitas cervejas, quem não faz algo corajoso? Ah sim, gente eu sou MUITO cagona pra moto lol Reencontrei pessoas que não via a séculos. Pessoas que realmente fizeram a diferença pra mim, mas tenho que me acostumar com a nomadês: nada é pra sempre, já me acostumei com isso :)

Já estamos no final de março, quando começo a trocar ideia com um cara no Facebook, por causa de um post do não intendo, o tal MAGO DO CHUVEIRO. Muito por acaso, começamos a trocar muita ideia no msn - ainda acessava o msn do trabalho; quando o trabalho e a responsa eram menores - e um dia acabou em beijos na sinuca. E sim, estou falando do meu namoradão - que não pego mais no colo como no começo lol - Escher, que me mostrou o que é a felicidade e companheirismo sem fakes. :)



No resto do ano minha vida deu uma acalmada: precisei me concentrar mais no trabalho, um pouco mais na faculdade - mas confesso que foi difícil, e só consegui mesmo quando a água bateu na bunda e peguei vários  exames LOL . De tanta concentração, desgrudei do Facebook, do twitter e de qualquer outra rede social. Minha vida, por um tempo, foi ler e escrever textos reflexivos e um pouco deprês, admito. Mas gosto deles, apenas.

Comecei novas modalidade de escrever no blog da Pamella - uns texto reflexivos mais largados, curtos e mais sentimentais. Comecei o Wonder Pressure o blog de conselhos - que não fez tanto sucesso quanto eu gostaria - mas só porque eu não divulguei como eu gostaria. O Nariz de Gelatina ganhou dominio e mais vontade de escrever. 



Conheci o Burger Map, a hamburgeria mais linda de Santo André - e junto a WFNX, a radio que toca lá e escuto o dia e a noite inteira. Vi meu irmão indo parar no mural da vergonha por não conseguir comer 1,3 kg de lanche, ri com as pessoas mais bacanas que alguem poderia trabalhar. Tenho orgulho de fazer parte da SOU. Não é pieguice, serio. É que lá é demais mesmo. :D Na SOU, aliás, começamos o ano com 8 pessoas. Terminamos com 17 contratados. Vaila crescer <3

Engordei alguns quilos por ir afogar minhas mágoas no McDonalds depois de alguns 'fracassos provais' na faculdade com meus amigos. Perdi muitas calças, mas pelo menos fiquei um pouco mais rechonchuda e sem cara de doente anoréxica. Tô mais feliz :)

Fui pra praia com os amigos, vi o mar pela primeira vez em 11 anos; fui pra Campos do Jordão, me senti rica sem ser LOL, fui pra Jarinu sentar na rua pra tirar foto, chamei um cavalo de cachorro, ri muito, chorei menos que 2010 - contei umas 5 vezes durante o ano.



Amadureci, cresci, mudei modos, evoluí outros. Adquiri mais desenvoltura para pensar, minha habilidade de falar tudo se confunde. As pessoas não entendem mais o que eu falo, eu fui memerizada. Estou falando muito internetês, mas estou feliz com isso. Mas as pessoas não me entendem lol

Passei o natal e ano novo em casa, jogando no Ipad. Mas nem ligo. Eu estava com a minha família, é isso que importa. Nossos laços inclusive, se tornaram muito mais fortes. As conversas mais cabeças e os conselhos, menos utópicos. Falei muito, ofendi muito. Mas agora todo mundo sabe quem é a Pamella de verdade. 2011 foi  um ano importante, porque depois de todas as coisas que aconteceram, eu me defini.

Faltou muita coisa, lógico, mas não é legal ficar falando de passado né?

Eu só desejo que 2012 tenha mais sorrisos e mais aprendizados, e mais dorgas, e mais risadas, e mais amigos, e mais cultivo de amizades já existentes. Eu amo todo mundo que faz a diferença na minha minha vida. Eu amo também meus bichinhos lindos - pretendo aumentar a familia esse ano, com um peixe e um porquinho da india. Eu amo tudo o que conquistei e amarei todas as coisas que eu conseguir fazer por mérito meu.

Obrigada a todos que me ajudaram a tornar sonhos possíveis, e vamo que vamo! 2012 não pode parar :)

Beijos, e feliz ano novo a TODOS! <3
Paamps.












ps: instagramear TODAS as fotos! >D