quarta-feira, 11 de julho de 2012

O sofá amaldiçoado

Você está lá, toda faceira assistindo um filme ou a um programa de TV. Está tudo bem, quando sorrateiramente, você se vê escorregando, com a cabeça descendo vários níveis até chegar no encosto do sofá.  
Aí você tira o sapato e estica as pernas. Esse é o sinal. O sinal que te envolverá e jamais libertará. Com as pernas esticadas, você tenta encontrar algo para se cobrir, porque ele é um pouco frio. Como não encontra seu cobertor, pega a jaqueta e deposita sobre os ombros.  
Você pisca. Está prestando atenção no filme. Pisca de novo. O filme ficou embaçado? Piscar pela terceira vez é desmaio certo: você foi fisgado pelo feitiço sonífero do sofá.

Parece exagero eu falando assim né? Mas é que vocês não conhecem meu sofá da sala. Ele já está antigo, mas tenho certeza que esse ano é aquele ano que o feitiço escolhe para ressuscitar. Eu mesma não consigo assistir um filme inteiro sem dormir. Sozinha, com o Escher, com minha família, com 30 amigos na sala: eu sempre serei capturada pelos braços invisíveis do sofá.



Bom, pra falar a verdade, diz a lenda que esse meu sofá deve ter pertencido a um antiquíssimo faraó Morpheus III, que era considerado o deus do sono nerd da Matrix egípcia. Ele colocou um feitiço potente para manter a bunda dos gamers grudadas enquanto eles jogavam. Até que apareceu uma menina gamer, que Morpheus se apaixonou por ela. Mas ela só queria saber de jogar. Então ele plantou um braços-tentáculos debaixo das almofadas que puxaria a menina gamer e a manteria deitada, para então, Morpheus pairar sobre ela. Aí um dia ele esqueceu que ela tinha que comer, ela morreu e renasceu como o fantasma vermelho do pac man.

Aliás eu realmente imagino que o sofá tem braços e abraça o 'deitante' de tal forma que é impossível levantar ou mexer um músculo. Parece verídico.

Poderia ser loucura, mas a maldição também afeitou meu irmão: o sofá o abraça com mais força, rouba todo o seu bom humor e ainda deixa marcas de listras na cara dele. Não tente acordar o Nathan quando ele estiver dormindo do sofá, pelo seu próprio bem. Se ele não cuspir fogo, vai dar uma voadora de dois pés no meio do seu tórax.


terça-feira, 3 de julho de 2012

O presente do Gaivota

Estava na aula de inglês hoje e o assunto era expulsar pessoas indesejadas de sua casa. Me lembrei de um episódio fatídico de minha vida, mais precisamente, da minha festa de 15 anos.

Eu, garotinha juvenil, no auge de me sentir por ter finalmente alcançado a maturidade inexistente dos 15 anos, resolvi que minha festa ia ser na minha casa mesmo. Salão e dança é o cacete, detesto esses tipos de frescura. Meu pai, lindo que é, montou a festa mais daora da galáxia: contratamos um DJ, enfeitamos o salão com CDs no teto (assim as luzes do DJ refletiam neles e os lasers eram hipnóticos), minha mãe super artista pintou a parede e fez uma arte firmeza, pedimos muita comida, muitos amigos (deviam ter umas 200 pessoas na minha casa LOL) e tive até video de retrospectiva (que eu odeio ver, não gosto e tal).

Enfim... Uns dois dias antes alguns amigos meus vieram saber mais detalhes da festa e, junto deles, estava um moleque que nunca vi na vida. Aliás, as únicas coisas que vi foram as sobrancelhas mais negras e grossas e juntas que existem, daí o apelido Gaivota. Aí beleza, estava conversando com meus amigos e eles perguntaram sobre sábado. Eu falei que começava as 19:00. Eles foram embora, e o gaivota também.

Aí firmeza, sábado né, super empolgação, eu recebendo os convidados, o som rolando solto e tals. Meus amigos - aqueles que tinham vindo me visitar - chegaram. Cumprimentei todo mundo e adivinhem quem estava atrás, na fila? Sim, o Gaivota.

"Nossa, Pam, obrigada por me chamar pra sua festa, você não sabe como eu estou feliz"

"mas quem é voc...."

"Olha, eu trouxe um presente de última hora, espero que goste pois achei a sua cara" - era um pacotinho bem pequeno.

"obrigada, mas quem é voc..."

E o filho da puta foi entrando na MINHA casa sem ser convidado.


Como eu sou desesperada e frenética, fui lá abrir os presentes né. Aí beleza, camisetas, tenis, caixinhas de música, brincos, colares, maquiagem, perfumes, ursinhos, cartões... e o presentinho do Gaivota.

Zordon sussurrou em meus ouvidos: "jogue essa porcaria fora não abra". Mas não né, sou teimosa. Abri.
Alguém DEVIA ter filmado a minha cara, porque eu devo ter ficado com uma expressão super escrota depois de ter visto o que tinha dentro do pacotinho tosco:


Um brinco de margarida. Com sorrisinhos. Totalmente óbvio e usável para uma pessoa de 15 anos. Beleza, quem tem 15 anos é tosco mesmo, mas PELO AMOR DO SANTO APÊNDICE DE ZORDON, o que o Gaivota tinha na cabeça?

Você pode ter pensado: 'ah pam, na época, ele estava a fim de você'. Não, você errou. Na minha festa de 15 anos, o Gaivota pegou minha prima. Uma semana depois, ele estava apaixonado por ela. Duas semanas depois ele foi conhecer a família dela (sem o consentimento dela, obviamente). Três semanas depois ela detestou tanto grude, e deu um pé na bunda dele. Gaivota ficou deprimido, ficou me amolando por muitas semanas, pois ainda queria minha prima, mas depois ele superou. E parou de encher o meu saco, graças a Zordon.

Você também deve ter se perguntado porque eu ainda tenho esses brincos. Ora bolas, como eu provaria a existência desse episódio? Eu, até hoje, não entendo a intenção do brinco de margarida, mas que eles me rendem boas risadas, isso sem dúvida. :)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reabilitação Facebookiana

Eu sempre gostei muito de lidar com pessoas, e conversar, e sempre apreciei a troca de ideias que a internet proporciona. Diria que sou uma total entusiasta de redes sociais. Mas esse meu gosto por conversas estava me atrapalhando demais meu rendimento, tanto no trabalho quanto na faculdade.

No trabalho, eu já tinha sido chamada a atenção mais de uma, duas, três vezes por distrações indevidas no trabalho: é constrangedor demais admitir isso, mas toda vez que alguém ia me solicitar algo, inevitavelmente eu estava no Facebook.

Estou no último ano da faculdade, portanto, há apenas um significado: TCC. Eu não estava me concentrando em absolutamente nada relacionado ao Trabalho de Conclusão! Eu começava a pesquisar algo e quando menos via já estava com uma aba "F branco no fundo azul" aberta no meu navegador. E eu não via como eu fazia isso!

Foi quando tomei uma decisão, há alguns meses, que foi a de sair do Facebook. Tal rede social estava me causando mais dor de cabeça do que alegrias. E devo dizer, foi a melhor coisa que eu fiz.

Pontos ruins? Eu tive muitos. Por exemplo, as acessos nos meus blogs diminuíram DRAS-TI-CA-MEN-TE pois 90% do fluxo de visitas vinha do Facebook. Minhas relações sociais - cujas bases se iniciaram na internet - praticamente desapareceram. Apenas o pessoal da faculdade e do trabalho - que eu vejo todos os dias - mantiveram-se firmes e fortes. Mas, numa roda de amigos, onde começava um assunto 'você viu aquele post que rolou no Facebook essa semana': eu já ficava calada.

Hoje, tomei uma decisão: vou voltar pro Facebook. Vai ser a prova de fogo para eu saber que a abstinência/reabilitação realmente surtirão efeitos. Se tudo desandar, é fácil: começo a reconstruir minha vida social virtual apenas em janeiro de 2013. De qualquer forma, os pontos bons superam: agora sei medir minha atenção, tenho consciência total das minhas responsabilidades, vou voltar a ter contato com o pessoal que eu estava com saudades, e os blogs voltarão a bombar o/

Que os jogos comecem!
Estou sumida? Me diga a última vez que você entrou em contato comigo para saber como eu estava.